Marketing

 

A Onda Tecnológica Advocatícia

Alexandre Motta
 
 

Pense bem. O mundo atual muda constantemente, principalmente na parte tecnológica. A inovação de hoje é o item ultrapassado de amanhã. Porque a advocacia não deveria acompanhar esta evolução? Se você, advogado, ainda não percebeu, sua profissão mudou. E muito.

Vamos imaginar que você seja um daqueles advogados românticos da profissão que ainda defende o papel e caneta como únicos meios de trabalho com o mercado. Colocarei alguns motivos abaixo para você “rever seus conceitos”, como diria aquela famosa propaganda. Antes de uma crítica mais aprofundada do conservadorismo da profissão, quero deixar claro que sei que sem o papel e caneta não existiria a advocacia atual e o que demonstro aqui é apenas a adequação ao mercado consumidor e as facilidades que as novas tecnologias trazem ao mesmo.

“Começando pelo começo”, como diria um amigo meu, podemos citar a Internet. Hoje em dia é praticamente impossível um escritório – e até o advogado autônomo – trabalhar sem estar conectado a World Wide Web, mais conhecida como internet. Tudo é feito através dela: consultas, contatos, investigações, colaborações e outras atividades inerentes a profissão. Não comentarei muito sobre a ferramenta pois acredito que 99,9999% do mercado entenda a internet como item básico de atuação mercadológica, inclusive com o e-mail, fator essencial de comunicação empresarial atual.

Passamos então às novas tecnologias envolvendo a imagem corporativa do escritório e sua comunicação com o mercado. É aqui que reside o que comentei anteriormente sobre evolução. Alguns anos atrás, ter um e-mail (mesmo que fosse gratuito) e ter um site (mesmo que fosse feito pelo seu sobrinho de 12 anos) eram suficientes para impressionar o mercado. Faça isso hoje e veja a reputação do seu escritório desfacelar por completo.

Como a revolução tecnológica não pára, outras coisas foram sendo incorporadas na rotina do advogado atualizado nos últimos anos. Cito algumas:

- ferramenta jurídica de controle processual, que dá ao utilizante poder de controlar várias funções em seu escritório, tais como timesheet, cadastro de clientes, financeiro, administrativo e, obviamente, o andamento dos processos de seus clientes, podendo inclusive enviar relatórios e cruzar informações de mercado.

- ferramenta de CRM (Customer Relationship Management), o tradicional programa de “manter relacionamento com o cliente”, que traz ao escritório, mais propriamente à pessoa que trata diretamente de novos negócios, a capacidade de manter um histórico de evolução do seu cotidiano com o cliente, fator extremamente importante e valioso nos dias atuais. Alguns outros exemplos de itens que podem ser trabalhados dentro de um programa de CRM: filtro de tarefas por dia, execução e monitoramento de ações de comunicação com o mercado e determinação de padrões de comportamento (traçar o perfil dos clientes com maior propensão de fuga para a concorrência, ou seja, retenção mais precisa de mercado).

- a intranet que traz a possibilidade de disponibilizar itens específicos para o cliente e funcionário do escritório.

- comunicadores instantâneos tais como MSN, Skype, entre outros, que disponibiliza o atendimento instantâneo ao cliente.

- as redes sociais de comunicação tais como Orkut, Ning, Facebook, entre outros, que são canais de relacionamento direto do escritório com o mercado.

- a digitalização de papéis que, além de liberar valioso espaço físico do escritório, traz uma organização precisa para a rotina dos trabalhos.

Citando apenas estas inovações acima, acredito que temos a noção da reestrutura recente da advocacia em seu escopo tecnológico geral. A verdade é que se formos comentar a fundo todas as inovações ocorridas nos últimos anos, este artigo se transforma em um livro.

Em um mundo que está tentando ser mais “paperless”, ou seja, ecologicamente correto - reduzindo assim a utilização de papel - até a visita do estagiário ao fórum está se tornando uma aventura tecnológica, com fotos digitais e scanners de mão, para citar apenas duas inovações.

É importante, portanto, que o amigo advogado perceba que só existem dois caminhos referentes a onda da inovação tecnológica advocatícia: ou a surfamos ou somos engolidos por ela.

Bom crescimento!

 

Informações Sobre o Autor

Alexandre Motta

Consultor e Sócio Diretor da Inrise Consultoria em Marketing Jurídico.

 
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Informações Bibliográficas

 

MOTTA, Alexandre. A Onda Tecnológica Advocatícia. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XIII, n. 73, fev 2010. Disponível em: <http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=7147&revista_caderno=18>. Acesso em jun 2019.


 

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MOTTA, Alexandre. A Onda Tecnológica Advocatícia. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XIII, n. 73, fev 2010. Disponível em: <http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=7147&revista_caderno=18>. Acesso em jun 2019.