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A influência da expressão corporal na área do direito

Bruna Bianchini Quarezemin
 
 

Resumo: Este estudo busca demonstrar a influência exercida pela oratória - mais especificamente a expressão corporal - na área jurídica, realizando sugestões no intuito de melhorar esse instituto. A partir disto, buscou-se referencias bibliográficas, voltadas a oratória á operadores do direito, visando, além dos atuais juristas, os futuros, que hoje se encontram na condição de estudantes nas academias. O objetivo principal deste estudo é proporcionar ao leitor um maior conhecimento de suas ações, as quais, por vezes, são involuntárias, na hora de falar em público. A partir disso, são feitas abordagens a atividades comuns de juristas. Isso porque, é necessário destacar a frequente expectativa de se encontrar soluções rápidas para um melhoramento oratório, todavia, é importante observar que esta área de estudo traz consigo sugestões de aprimoramento da comunicação que quando aplicadas, de tal maneira, auxiliam na transmissão das mensagens.

Palavras-chave: Direito. Jurista. Oratória.

Abstract: This study seeks to demonstrate the influence exerted by oratory – more specifically body expression – in the legal area, making suggestions to improve this institute. From this, we searched for bibliographical references, focused on oratory to legal practitioners, aiming, in addition to the current jurists, futures, which today are in the condition of students in the academies. The main objective of this study is to provide the reader with a greater knowledge of his actions, which are sometimes involuntary when speaking in public. From this, approaches are taken to common activities of jurists. This is because it is necessary to emphasize the frequent expectation of finding quick solutions for an oratory improvement, however, it is important to note that this area of study brings with it suggestions for improving the communication that, when applied, helps to transmit the messages.

Keywords: Law. Jurist. Oratory.

Sumário: Introdução. 1 a expressão corporal na esfera jurídica. Considerações Finais.

Introdução

Tradicionalmente, a área do Direito possui os melhores oradores, já que estes possuem o dever de, por meio da comunicação, aplicar as normas de forma coerente, seja acusando ou defendendo seus clientes, ou até mesmo em causa própria.

Inicialmente, convém destacar que a boa oratória é essencial nos segmentos jurídicos. Ademais, para ingressos em alguns cargos públicos, para obter a aprovação, é necessário passar por testes orais.

Observa-se que em épocas eleitorais, os políticos necessitam convencer as pessoas de que suas propostas são as melhores, sendo por meio de uma oratória convincente que isto acontece.

Um jurista, não foge disto. Enquanto para o político vencer a eleição é seu objetivo, para um advogado, convencer um júri de um tribunal que seu cliente é inocente e merece a absolvição, é a sua meta.

Diante isto, para o sucesso jurídico, tanto em apresentações de projetos, referindo-se aos acadêmicos, quanto diante de um tribunal, para operadores do direito, além do empenho e dedicação em leituras, é imprescindível que se tenha, dentre outros fatores, expressões corporais condizentes ao vocabulário dito.

1 A expressão corporal na esfera jurídica

Quando se lê a palavra oratória, logo se pensa em preparação para falar em público. Existem pessoas que acreditam que alguns já nascem preparados para isso, contudo, a oratória está ao alcance de todos aqueles que a almejam e, necessariamente, informam-se a respeito desta.

Discorre Garrido (2011, p. 1), sobre o bom orador, este “usa sua habilidade para convencer as pessoas da importância e benefício de seu projeto”.

Para Germinari e Portugal (2010), no Direito, o domínio da fala e da escrita são fatores determinantes para persuadir quem tem o poder de decidir.

Dentro da oratória, podem-se definir os principais atributos de um bom orador, que, nas palavras de Polito (2008) são a credibilidade, a voz, o vocabulário, a expressão corporal e a aparência.

Tratando-se da expressão corporal, Polito (2008) ainda cita a pesquisa realizada pelo psicólogo Albert Mehrabian, oportunidade em que se obteve o resultado de que, em uma transmissão de mensagens do orador para os ouvintes, possui influência 55% da expressão corporal.

Deste modo, “equivoca-se quem pensa que a oratória está ligada apenas à pronúncia das palavras, estão elas relacionadas também ao tom de voz, gestos, [...] postura, olhar e à inflexão dada a elas” (GERMINARI; PORTUGAL, 2010, p. 14).

Portanto, para tornar-se um ótimo orador, é necessário adquirir habilidades em suas expressões, e para que isto ocorra, é importante estar atento a pequenos detalhes.

Por outro lado, é indispensável, em primeiro lugar, obter o autoconhecimento, identificando suas aptidões e, dificuldades, também.

Sabe-se que existem métodos para auxiliar o melhoramento da oratória, em especial da expressão corporal. Neste momento, destacam-se os gestos involuntários que, por muitas vezes, acredita-se que, por exemplo, mexer na aliança ou coçar a cabeça, é “manias” que o ser humano possui. Contudo, entende-se que podem ser manifestações de desconforto ao falar em público.

Com isso, verifica-se a necessidade de ressaltar a importância, também, do autocontrole, no intuito de reconhecer e abolir gestos.

Outro peculiar hábito é enquanto o orador fala ficar em uma postura inadequada. Quando o orador se encontrar em pé, deverá manter uma distância, em média, de 20 cm entre os pés, já que nesta distância encontra-se o equilíbrio. Isso porque, entende-se que com os pés juntos, além de se semelhar a uma estátua, o corpo balançará na procura de equilíbrio, desconfortando o orador e distraindo a atenção de quem ouve (PAGANELLI, 2004).

Ante exposto, neste momento convém destacar algumas sugestões no intuito de projetar um melhoramento nas expressões realizadas pelo orador. Assim, entre as sugestões existentes para resolver atitudes indesejáveis quando se fala em público, pode-se destacar a naturalidade, em todos os aspectos, como um modo de solucionar aquelas.

Outrossim, deve-se ressaltar que, enquanto o orador realiza sua apresentação, deve falar olhando para os ouvintes. Segundo Polito (2008, p. 111), “quando você olha para as pessoas, percebe, pelas reações delas, se estão entendendo, concordando com seu ponto de vista, ou assimilando a mensagem”.

Ademais, deve-se manter o olhar atento aos ouvintes, sendo este uma preocupação que o advogado deve ter, pois se caso não perceber a reação dos ouvintes, e não adaptá-la diante uma nova circunstância, sua apresentação poderá ser danificada (POLITO, 2008).

Outro ponto a ser citado é quando o orador está sentado.

Isso porque, é necessário ficar atento a maneira como se senta, evitando posicionar as pernas em forma de “x” embaixo da cadeira, deixá-las esticadas excessivamente ou pender o corpo para um lado (POLITO, 2008). Em substituição destas posições, utilizam-se os dois pés no chão, ou o cruzamento de uma das pernas sobre a outra, com o corpo de forma reta.

Finalmente, conforme Polito (2008, p. 25), “não há alternativa: para se sair bem no exercício da advocacia, uma das condições essenciais é saber falar bem”.

Entende-se que, ainda mais, saber aproveitar dos artifícios da oratória, como forma de convencimento e benefício próprio.

Considerações Finais

Durante as pesquisas realizadas para este estudo, se observou as diversas formas de aprimoramento da oratória, em diferentes campos desta.

Deste modo, se obteve conhecimento também de áreas como a da credibilidade e a utilização de materiais audiovisuais, por exemplo.

É importante destacar que é necessário que as práticas de aperfeiçoamento da oratória, sejam estendidas a todos, já que em uma globalização, difícil é aquele que consegue não manter comunicação com as demais pessoas.

A oratória e o Direito estão extremamente ligados, pois aquela é a forma do Direito sobreviver. Sem uma boa oratória pouco valerá as palavras escritas de um jurista, pois será o modo de expor seus argumentos oralmente, que por muitas vezes, convencerá as pessoas capazes de julgar, de que ele vencerá ou não em um tribunal.

É de necessidade de quem estuda o Direito, ter desde o início de seus estudos atividades que envolvam a fala para um público, já que em sua profissão, qualquer que seja no âmbito jurídico, é de extrema importância saber repassar as informações de forma correta sem deixar dúvidas pelo modo em que foi transmitida.

 

Referências
GARRIDO, Katia Chirinhan. Teatro: a cartilha lúdica do ensino superior. Revista Eficaz – Revista Científica Online, Maringá, p.1-12, fev. 2011. Disponível em: < http://www.institutoeficaz.com.br/revistacientifica/wp-content/uploads/2011/02/Katia-Garrido.pdf >. Acesso em: 30 jun. 2012.
GERMINARI, Jefferson Patrik; PORTUGAL, Heloísa Helena de Almeida. A importância da oratória aos estudantes e profissionais do direito. ETIC - Encontro de Iniciação Científica, Presidente Prudente, n. 6, vol. 6, p.1-24, 2010. Disponível em: <http://intertemas.unitoledo.br/revista/index.php/ETIC/article/viewFile/2523/2047>. Acesso em: 18 jun. 2012.
PAGANELLI, Wilson. Oratória: a arte de falar! Direito e Sociedade, Três Lagoas, n. 1, p. 81-95, jan. – dez. 2004. Disponível em: < http://www.aems.com.br/publicacao/direito/DIREITO%20E%20SOCIEDADE%202004.pdf>. Acesso em: 18 jun. 2012.
POLITO, Reinaldo. Oratória para advogados e estudantes de Direito. São Paulo: Saraiva, 2008. 247 p.
 

Informações Sobre o Autor

Bruna Bianchini Quarezemin

Advogada

 
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Informações Bibliográficas

 

QUAREZEMIN, Bruna Bianchini. A influência da expressão corporal na área do direito. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XX, n. 161, jun 2017. Disponível em: <http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=18979&revista_caderno=27>. Acesso em dez 2017.


 

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QUAREZEMIN, Bruna Bianchini. A influência da expressão corporal na área do direito. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XX, n. 161, jun 2017. Disponível em: <http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=18979&revista_caderno=27>. Acesso em dez 2017.