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As teorias da personalidade - uma abordagem ampla e ontológica

Max Elias da Silva Araújo
 
 

Sumario: 1. Introdução. 2. Definição e conceito de personalidade conforme a psicologia forense. 3. Conceito de personalidade no âmbito jurídico. 4. Muitas pessoas buscam uma explicação do que vem a ser personalidade e como ela surgiu. 5. Sigmund Freud. 5.1. Biografia. 5.2. Teoria da personalidade – a teoria psicanalítica. 6. Carl Gustav Jung. 6.1. Biografia. 6.2. Teoria da personalidade – A psicologia analítica. 7. Alfred Adler. 7.1. Biografia. 7.2. Teoria da personalidade - psicologia individual. 8. Willian James. 8.1. Biografia. 8.2. Teoria da personalidade - psicologia da consciência. 9. Carl Rogers. 9.1. Biografia. 9.2. Teoria da personalidade – A perspectiva centrada no cliente. 10. Frederik Perls. 10.1. Biografia. 10.2. Teoria da personalidade – Gestalt-Terapia. 11. Conclusão. 12. Notas.  13. Referencias bibliográficas.

1. Introdução.

A personalidade e suas possíveis teorias a respeito de seu surgimento tornam-se restringidas e limitadas a determinadas correntes de pensamentos, geralmente são correntes de pensamentos que ora são tradicionalistas ou radicais. O que ocorre é definir o que vem a ser personalidade requer um estudo que exige bastante detalhe, sendo assim, há a busca e interrelação de diferentes estudos e temas desenvolvidos e/ou aprimorados como fizera Freud no desenvolvimento da psicanálise.

A psicopatologia, conhecida popularmente como psiquiatria, é o ramo da medicina que se ocupa do estudo e compreensão do fato psíquico patológico, do homem enfermo psicologicamente. A mesma, adota uma visão referente à perspectiva clinica, condizendo que a conduta delitiva, no caso de enfermos que chegam a cometer algum delito, é pura expressão de um determinado transtorno patológico da personalidade, ao qual aflige um determinado individuo. Porquanto a psicologia busca delinear e explanar o estudo da estrutura, etiologia e desenvolvimento cognitivo do comportamento humano, tal conceito no âmbito da criminologia, a mesma tem por função primordial buscar o motivo de um dado individuo ter cometido uma conduta delituosa.

A psicanálise, a qual foi bastante estudada e compreendida em sua essência fundamental por Freud correspondem ao exame da estrutura psicodinâmica da personalidade, seus conflitos internos e frustrações. O modelo psicanalítico distingue três complexos psicológicos, os quais são o Id, Ego e o Superego, estes integram o aparelho intra-psíquico, cujo equilíbrio garante uma estabilidade nas estruturas e funções psicológicas do individuo em questão.

É fundamental, analisar que existe uma grande ramificação de autores que desenvolveram conceitos distintos sobre a psicanálise e até mesmo de todo o estudo psicanalista. O que importa é compreender taxativamente o conceito de personalidade, visto que esta apresenta traços semelhantes nos escritos dos mais variados autores e estudiosos do ramo da psicanálise. O que varia é o conceito atribuído a origem da mesma, interessando tal estudo a todas as ciências humanas inclusive ao direito.

Não importa em qual setor jurídico, um operador do direito estar inserido, mas compreender a psicologia é fundamental para tal pessoa ter um grande progresso profissional. V.g., um advogado luta pela defesa do seu cliente, ele deve buscar achar e aplicar os melhores argumentos para convencer um determinado juiz a dar ganho de causa a ele, outra função é derrubar os argumentos da outra parte. No entanto para que tal fato ocorra é necessário, além de conhecimento jurídico, um excelente conhecimento das ciências psicológicas, em casos em que um advogado de uma parte que estar sendo acusada nota que o advogado da outra parte apresenta sintomas de uma neurose denominada TOC (Transtorno obsessivo compulsivo), como por exemplo, ser bastante metódico, detalhista entre outros sintomas. Basta apenas o advogado da parte acusada realizar algumas perguntas não muito complexas, mas simples e numerosas a parte acusadora, a fim de deixar confuso e sem argumentos.

A psicologia forense, assim como outros ramos das ciências humanas são imprescindíveis para a formação de um bom profissional do ramo jurídico, principalmente para a compreensão do estudo criminal, visto que a psicologia criminal busca estudar e compreender de fato a dinâmica psicológica criminal. Como dizia Willian James:

“Em nossa vida cognitiva, assim como na vida ativa, somos criativos... O mundo é realmente maleável e espera de nossas mãos seus toques finais. Como o reino do céu, ele sofre voluntariamente a violência humana. O homem engendra a verdade sobre ele” (James,  1907,  pp. 256-257).

Dessa maneira, entende-se que o mundo é como uma folha de papel maleável em sua essência, sujeitando-se as ações humanas e naturais sua interlocução e atividade. O operador de direito deve buscar cada vez mais a sua criatividade e a busca da luz tão sonhada pelo iluminismo, que é a simples e pura verdade, esta é instrumento do homem, a qual busca dar seus toques finais e peculiares a ela. Assim entender as diversas concepções de personalidade no âmbito da psicologia forense é um grande passo a compreensão da ciência jurídica do futuro, a qual prima pela flexibilidade ideológica.

2. Definição e conceito de personalidade conforme a psicologia forense.

A definição de personalidade personalidade é para a grande maioria dos autores que remeteram à base do presente trabalho o conjunto peculiar de aspectos que diferenciam a grande maioria das pessoas naturais, no meio de uma gama de pessoas tanto de culturas iguais quanto de diferentes. Porquanto o conceito de personalidade é o perfil apresentado por um determinado individuo, onde a sua conjuntura civil, ideológica, moral, pessoal, seu modo de agir, seu comportamento no entorno da sociedade são emitidos extrinsecamente. A personalidade de certo individuo é a reflexão de um complexo de fatores desde o fisiológico ao psicológico, ela é a combinação da constituição temporal e fruto da construção do caráter e temperamento individual, estes latentes em cada um de nós.

Vale ressaltar que cada pessoa possui uma espécie diferente de personalidade, pois seria impossível haver pessoas com iguais pensamentos e personalidades. A personalidade é condicionada por duas variáveis: às inatas e aquelas que adquirimos com o nosso desenvolvimento fisiológico e social. As primeiras remetem a compreensão de fatores fisiológicos, químicos, físicos, não vem ao caso no presente artigo, entretanto é importante frisar que a segunda variável compreende o fator caráter é a consistência de princípios e valores adquiridos com o passar cronológica em cada individuo.

3. Conceito de personalidade no âmbito jurídico.

A personalidade é, portanto, o conceito básico da ordem jurídica, o qual é expandido a todas as pessoas, consagrando-a e garantindo-a na legislação civil e nos direitos fundamentais inerentes a pessoa humana, independente de origem, grupo étnico, idade, sexo entre outras distinções. É um direito latente a pessoa humana, sendo intransmissível, inalienável, indisponível e não passível de sofrer redução. Nesta ultima característica deve não ser confundida com a capacidade, esta pode ser limitada reducionalmente. Para Clovis Beviláqua, “é a aptidão, reconhecida pela ordem jurídica a alguém, para exercer direitos e contrair obrigações”¹.

Os direitos da personalidade são dotados de caracteres especiais, à medida que são destinados à proteção eficaz da pessoa humana em todos os seus atributos de forma a proteger e assegurar sua dignidade como valor fundamental. Constituem, segundo Bittar, "direitos inatos (originários), absolutos, extra-patrimoniais, intransmissíveis, imprescritíveis, impenhoráveis, vitalícios, necessários e oponíveis erga omnes."

4. Muitas pessoas buscam uma explicação do que vem a ser personalidade e como ela surgiu.

Desde as civilizações mais remotas a humanidade se preocupava em tentar achar uma explicação para a distinção de comportamentos e personalidades humanas, no entanto sempre se deparava com um grande porquê, ou seja, inúmeras duvidas. tal assunto ainda continua ocasionando duvidas, algumas delas inexplicáveis do ponto de vista psicológico, enquanto outras são compreendidas até no entorno do estudo biológico. Para melhor entender, localizar um significado a personalidade é tão difícil quanto responder a estas três perguntas, a seguir: de onde eu vim, quem eu sou e para onde eu irei? Por tal fato alguns autores, os quais ocorrerão o detalhamento suas contribuições pelo intermédio de teorias explicativas sobre a origem da personalidade. Como o fez Freud, Adler, Jung, Perls entre outros. Por isso há o surgimento de diversas teorias da personalidade, estas são divergentes quanto à forma com que é explicada a dinâmica da personalidade, ou seja, o processo motivacional e outros aspectos etiológicos. 

5. Sigmund Freud

5.1. Biografia

Sigmund Freud (1856 – 1939) era judeu, estudou medicina em Viena. Estudou psiquiatria, desenvolveu e aprimorou o estudo psicanalítico. Ele é considerado por muitos como o pai da psicanálise. Freud sofreu bastante criticas, na medida em que seus trabalhos tornavam-se cada vez mais acessíveis a população em geral, ele sabia que seus trabalhos eram predominantemente empíricos, ou seja, consistiam em descrições por meio de processos observatórios e que um dia iriam ser superados por pesquisas aperfeiçoadas em neurologia.

5.2. Teoria da personalidade a teoria psicanalítica.

Freud inicia seu pensamento com a idéia de que nada existe aço acaso, há uma causa para todo tipo de pensamento, idéia similar a da ação e da reação, todo pensamento é fruto de uma ação anterior, nenhum pensamento surge sem houver um processo motivacional. Tanto o consciente quanto o inconsciente podem levar a elaboração e desenvolvimento de um determinado processo mental.

O determinismo psicológico era uma grande marca presente no pensamento de Freud, para ele todos os pensamentos, emoções, ações, idéias tem uma causa, nada vem ao acaso e de modo indeterminado. Os impulsos insatisfeitos e os provenientes do inconsciente causam a maioria dos determinados eventos psicológicos. Daí a personalidade ser uma força resultante de diversos vetores psicossociais sexuais.

A personalidade humana é dividida em três grandes superestruturas, estas compreendem os seguintes complexos psicológicos: Ego, Id e Superego. O Ego é a parte da personalidade que toma as decisões a respeito de que impulsos do Id deverão ser satisfeitos e de que modo. O Id é a parte inicial da personalidade, é a partir dela em que o Ego e o Superego se desenvolvem, ele é responsável pela concretização dos impulsos biológicos mais básicos inerentes a pessoa humana. Porquanto o Superego é a parte cognitiva da personalidade que está encarregada de julgar e distinguir o que é certo e o que está errado, de uma maneira geral, ele é a reprodução dos valores e costumes internacionalizados pelo individuo.

Sigmund acreditava que havia durante os primeiros cinco anos de vida, o fato de o individuo ficar sujeito a diferentes estágios de desenvolvimentos fisiológicos, os quais influem na dinâmica do desenvolvimento da personalidade humana. A partir daí ele fundamentou uma ampla definição de sexualidade e a existência de períodos de desenvolvimento pisicossexual. Essas fases são determinadas, pelo fato de os impulsos provenientes do Id, os quais se encontram em processo de busca do prazer sexual, acabam por se concentrarem em determinadas áreas do corpo humano e em continua atividade.

O primeiro ano de vida do homem, Freud o denominou de fase oral do desenvolvimento psicossocial. Nela os bebês obtém prazer no entorno de suas bocas, situação principalmente observável durante a sensação de prazer deles durante os atos de amamentação e sucção, assim eles começam a colocar tudo o que vêem em suas bocas, a fim de obterem prazer. No segundo ano de vida, ocorre uma fase denominada fase anal, nela acreditava-se que o prazer é verificado na região anal, principalmente no instante em que as crianças retém e/ou expelem fezes, no entanto nessa fase ocorre um conflito, em que os agentes são os pais, estes buscam impor aos filhos ou tutelados uma educação sanitária adequada.

Na próxima fase, denominada por Freud como fálica é a em que as crianças começam a acariciar seus genitais, com o objetivo de sentirem prazer. Elas começam a observar as diferenças entre o sexo masculino e o feminino, ao ponto de dirigir seus impulsos sexuais ao genitor de sexo oposto, entretanto quando tal impulso extravasa seus limites, ocorre um problema conceituado por Freud como complexo de Édipo. Nele ocorre um conflito de interesses entre a criança e o genitor se seu mesmo sexo, ou até mesmo ao de sexo oposto. Posteriormente ocorre um período denominado de latência, o qual vai dos 7 aos 12 anos, nele as crianças ficam cada vez mais preocupadas com o meio externo e com os seus corpos. A partir da adolescência, no inicio do período denominado puberdade vem à tona uma fase conhecida como genital, esta é a ultima fase, a da maturação sexual.

Freud acreditava que qualquer problema em alguma dessas fases ocasionaria o surgimento de um posterior problema de personalidade em alguma pessoa, durante sua fase adulta. Por tal motivo, as ocorrências adequadas de fatos ao longo das fases do desenvolvimento sexual ser primordiais para determinar uma boa relação na personalidade de um dado individuam. v.g. uma pessoa que tem o desenvolvimento da fase oral prejudicada por algum fato, no futuro será uma pessoa que tem prazer oral.

6. Carl Gustav Jung.

6.1. Biografia.

Carl Gustav Jung (1875-1961) morou, em sua vida toda, na Suíça. Estudou psiquiatria em zurique. Foi o mais famoso estudioso que rompeu com Freud, inicialmente ele foi um dos seguidores mais dedicados do ultimo, porem com o passar dos tempos, Jung passou a discordar das idéias e algumas teorias Freudianas, assim fundou sua própria escola de psicologia. Esta denominada de psicologia analítica. Ele defendia que a introspecção ativa seria um meio para haver uma mudança psíquica no individuo. Ele estava preocupado era com a parte imersa do grande iceberg, que compreendia a mente humana, ou seja, o inconsciente.

6.2. Teoria da personalidade – A psicologia analítica.

Jung desenvolveu uma metapsicologia bastante aprimorada e elaborada. Ele acreditava que, alem de haver o inconsciente pessoal descrito por Freud, existe inclusive um inconsciente coletivo, ou melhor, dizendo uma parte que compreende uma considerável parte da mente que é comum a todos os seres humanos. Tal inconsciente consiste de imagens fundamentais e peculiares herdadas de nossos antepassados. Jung examinou algumas pessoas que relataram em seus sonhos, coisas comuns a maioria das pessoas como, por exemplo, sonho com imagens de abutres, estas aparecem em escritos religiosos, mitologias mesmo desconhecidos pela pessoa que sonhou.

Como Isaac Newton já afirmara anteriormente, toda ação possui uma reação de igual intensidade, tudo com o objetivo de haver um equilíbrio de forças. De maneira similar, Jung afirmava que para qualquer atitude consciente, há uma compensação inconsciente sempre igual a primeira. Daí, Jung ao buscar a interpretação de sonhos ocorridos no inconsciente, entendeu que estes serviam para compensar alguma coisa ocorrida no consciente, tudo para manter o equilíbrio e a harmonia.

Em sua teoria da personalidade, assim como a de Freud a parte do aparelho psíquico chamado ego é também um complexo, possui a mesma função que o ego freudiano, o qual tem como função proporcionar o fator necessário para ocorrer a adaptação psicológica do individuo com a realidade. Assim o mesmo poder interagir perfeitamente o seu microcosmo intra-psiquico com o mundo externo e poder manter uma harmonia adequada com o id e o superego em seu complexo psíquico.

Algumas coisas em que as pessoas acreditam ser possessões, imagens que aparecem em sonhos, personalidade separada como nos casos de personalidades múltiplas, alucinações; conforme Carl Jung tais fatos consistem em manifestações provenientes da luta entre o Ego e alguns complexos emocionais sobrecarregados. Estes da mesma maneira que algum liquido no interior de uma garrafa agitada estar a pressionando para escapar do referido recipiente, assim estar tais complexos em conflito com a parte racional. Por isso quando eles extravasam o recipiente mental, ocorrem algumas anomalias psíquicas.

A personalidade humana estava dividida em complexos interligados parcialmente, contudo no centro de tudo estava o ego, sendo assim, diversos outros complexos servem como auxilio ao ego. Para Jung a sombra é a imagem inversa da personalidade de um dado individuo, ela é o inverso de toda a manifestação psicológica do mesmo, ou seja, é a oposição corrente aos valores interiorizados no complexo psíquico geral estabelecido pelo ego na concretização das relações externas. O referido autor estabeleceu alguns conceitos como anima e ânimos, o primeiro corresponde à deposição das experiências femininas na herança psíquica de um homem; porquanto a segunda corresponde ao inverso da anterior. Ambos possuem a capacidade de conectar o ego ao mundo introspectivo e, assim ser o mesmo projetado sobre as relações sociais. Quando algum daqueles está conectado a sombra, a mulher, por exemplo, pode ver os atributos interiores de homem como indesejáveis a si e quando encontra esses atributos em si, sente-se culpada e com grande remoço.

Para Jung para que o nosso complexo psíquico se desenvolva é necessário haver o conflito entre o consciente e o inconsciente, tudo com o objetivo de fazer com que nossa personalidade se desenvolver completamente. Ocorrendo, assim um processo denominado individuação. "é o velho jogo do martelo e da bigorna: entre os dois, o homem, como o ferro, é forjado num todo indestrutível, num indivíduo. Isso, em termos toscos, é o que eu entendo por processo de individuação" (Jung). Tal processo consiste na criação de um novo centro psíquico, o qual se chama self, este será o centro da personalidade total, assim como o ego é o centro do consciente.

7. Alfred Adler.

7.1. Biografia.

Alfred Adler (1870-1937), filho de um comerciante judeu de classe media nasceu no suburbio de Viena e passou lá grande parte de sua vida. Ele passou por inúmeras dificuldades medicas em sua vida. Um clínico geral, ele em 1902 tornou-se um dos quatro membros originais do círculo de Freud. Adler divergia com as idéias de Freud em alguns pontos de vista sobre neurose e infantossexuais, motivo que o levou a posteriormente romper seus vínculos com uma sociedade, o qual ele presidia. Sua teoria da personalidade postulou um empenho por auto-estima e tentativa de superar um sentimento de inferioridade.

7.2. Teoria da personalidade - psicologia individual.

Adler em sua teoria sobre a personalidade igualava saúde psicológica à consciência social construtiva, dessa maneira ele desenvolveu um sistema de analise psicológica, o qual denominou de psicologia individual, este ainda continua ainda sendo utilizado em clinicas localizadas em diversos países. Sua principal contribuição para a sociedade mundial foi o estabelecimento de centros de orientação psicológica na área infantil em Viena, os quais serviram como base para a criação de outros centros orientadores em toda parte do mundo.

É fundamental, lembrar que Adler foi enormemente influenciado pelas idéias darwinistas em relação ao processo evolutivo humano. Ele observava as pessoas como seres em plena união, apesar de serem entidades biológicas distintas. Ela acreditava que havia um darwinismo social, o qual enfatizava o fato de haver a sobrevivência das pessoas mais fortes e adequadas ao meio social, dessa forma os indivíduos que não estiverem devidamente adaptados não sobreviveriam no interior da sociedade. Em fim o mundo é dos mais fortes e adaptados, viver na sociedade é um privilegio dos melhores.

“O objetivo da superioridade de cada individuo é pessoal e único. Depende do significado que ele dá a vida. esse significado não é uma questão de palavras. É construído sobre seu estilo de vida e nela se introduz (Adler, 1956,  p. 167).” “sentimentos de inferioridade não são, em si, anormais. São a causa de todo progresso na situação da espécie humana (Adler, 1956,  p. 117).” A psicologia individual baseia-se firmemente no terreno da evolução e sob este prisma encara toda luta humana como uma luta pela perfeição  Adler, 1964ª,  pp. 36-37).”

O homem individualista para Adler era aquele que estar apto ao lema conhece-te a ti mesmo e conheceras o universo e os deuses ², no entanto este não deveria privar-se da coletividade cooperativa, visto que esta é um aspecto muito importante do comportamento social. Somente a partir da cooperação com outros e do perfeito funcionamento cognitivo, podemos superar nossos sentimentos de inferioridade. As três maiores tarefas que um ser humano defronta-se são o trabalho, amizade e o amor. Todas elas são inerentes a condição humana, não importa de qual pessoa análise e observe. O ambiente social molda a sociedade em si.

É imprescindível, frisar que Adler considera o ambiente social possui considerável importância para o desenvolvimento da personalidade de um individuo, dessa maneira ele diverge de Freud, o qual acredita que há um determinismo no desenvolvimento da personalidade humana. Adler busca compreender o comportamento humano por seus objetivos e finalidades, mais do que através de suas causalidades. Ele acaba por interpretar que o meio social influencia muito mais do que o meio interior, no que condiz ao desenvolvimento ou organização do fator psíquico.

Fato é que Adler foi bastante influenciado pela teoria psicanalítica de Freud, especialmente quanto à importância das relações maternas, ao desenvolvimento psicológico nos primeiros anos de vida entre outros setores. Adler menciona em sua teoria da personalidade que há um principio dinâmico, este direciona cada um de nos ao futuro sempre direcionando a uma meta especifica. Uma vê, que a meta passa a tornar-se foco geral nosso aparelho psíquico modifica-se rumo à concretização dele, v.g. quando uma pessoa deseja escrever um livro, a sua mente molda-se e a direciona para essa pessoa realizar tal tarefa. Outro fato é que o mundo real deve agir sobre o mundo das idéias, de modo que as fantasias tornem-se meros objetos acessórios e não principais.

Para Adler o sentimento de inferioridade deve ser superado pelo de domínio, assim um homem que domina suas fraquezas torna-se cada vez mais forte, ele aprende com seus erros, a fraqueza nada é mais do que um resultado da comparação entre uma pessoa e o homem médio. O ser perfeito é aquele que busca a sua superação, não acreditando que estar inferior aos demais, sendo assim ele adota o sentimento motivador como a chave de sua vida, dessa maneira ele sobrevive e prospera num mundo onde há uma seleção natural dos seres existentes. Valem lembrar que muitos obstáculos irão bater de frente contra os homens, no entanto o forte derruba todos eles.

“Em quase todas as pessoas ilustres encontramos alguma imperfeição orgânica, e ficamos com a impressão de que elas foram dolorosamente testadas no inicio da vida, mas lutarm e superaram suas dificuldades (Adler,  1931,  p. 248).”

Outro fator primordial para o desenvolvimento da personalidade observado por Adler é o fato de as crianças que são primogênitas quando deixam de possuir tal característica em virtude de ter nascido outra criança mais nova, tornam-se conservadoras, deixam de lado a pastilha, ficam inseguros.

8. Willian James.

8.1. Biografia.

Willian James nasceu numa família rica da nova Inglaterra em 1842, estudou inicialmente pintura, porem interessou-se por ciência. Ingressou em Havord, posteriormente ficou depressivo, contudo em 1870, Willian James conseguiu se recuperar de tal mal. A partir de sua recuperação, ele assumiu um cargo de professor em Harvard, em seguida em Stanford. Ele foi o terceiro presidente da associação Norte-Americana de psicologia (1894-1895). Ele definia a psicologia como uma explanação sobre estados de consciência como tais; tal definição está estimulando nos dias atuais, muitos estudantes e pesquisadores. James não se limitou, em seus estudos, apenas a um ramo da psicologia, mas sim procurou escrever, estudar e compreender sobre todos.

8.2. Teoria da personalidade - psicologia da consciência.

A personalidade, para James, surge através da interação entre o instinto e hábitos da consciência e os aspectos pessoais volitivos. O pensamento é parte de uma consciência pessoal, porem não existe independentemente da pessoa, o seu processo existe da mesma forma em que pode ser experimentado ou percebido tanto do ambiente interno quanto do externo. O pensamento nunca pode ser igual, o que pensamos uma vez nunca mais pode ser pensado outra vez e o que pensamos ser um pensamento repetido é na realidade uma simples modificação de um outro pensamento anterior, assim afirmava James. Dentro de cada uma das diversas consciências há pensamentos contínuos, a consciência já parte articulada e não desarticulada.

Willian James iniciou um grande estudo a respeito da psicologia da consciência, através de experiências realizadas e inúmeras fundamentações filosóficas por parte do referido, mesmo assim tal tema não passou a ser o centro das atenções nos estudos psicológicos. A compreensão do que vem a ser consciência ainda não pode ser explicado, visto tal definição não ser passível de resposta, mas o que vem a ocorrer é a assimilação de hipóteses provenientes de respostas experimentais. O estudo da consciência envolve a busca pela resposta de alguns fatos, como por exemplo, o que acontece com a consciência, quando a mesma é alterada devido a algum fator provocado como a meditação, hipnose, drogas psicodélicas entre outros fatores.

Entender que a consciência faz gerar algumas distinções, daí acreditamos que a nossa percepção como seres próprios, distintos uns dos outros, tal fato possa ser apenas um simples artifício empregado como uma porta em nossa consciência interna. A maioria do mundo acredita que o transcendental determina nossa consciência, porquanto tal afirmação remete a idéia de no fundo da consciência o homem ser uma peça condicionada e não livre. Por tal motivo James rejeita a idéia de um deus condicionador, a verdadeira verdade, acreditando a evolução pessoal é o fator que importa realmente ao desenvolvimento humano e ao crescimento psicológico liberto de idéias aprisionadoras. Alguns fatos como os sentimentos, o homem devem evitar ou abraça-los de vez.

9. Carl Rogers.

9.1. Biografia.

Carl Rogers (1902 – 1987) nasceu em Oak Park, Illinois, numa família, cuja pratica religiosa era altamente fundamentalista, daí sua infância e educação terem sidas limitadas pela ideologia de seus pais. Viveu sua infância em meio ao isolamento social. Ele tornou-se um pastor e começou a se interessar pelo estudo no ramo da psicologia, iniciando com analises empíricas sociais, desenvolvendo posteriormente suas teorias sobre a personalidade. Rogers buscou um novo plano de ação da psicologia, de modo que esta deveria se desenvolver através da interação entre pacientes no interior de grupos reabilitadores.   

9.2. Teoria da personalidade – a perspectiva do cliente.

A teoria de Carl Rogers foi desenvolvida a partir do delineamento de suas experiências clinicas, e a partir da assimilação de diversas fontes e sistemas intelectuais. Ele lançou como uma de suas premissas fundamentais, a de que as pessoas utilizam suas experiências pessoais para se definirem por completo. Rogers busca a definição de diversos conceitos relativos ao estudo psicológico, a partir dos quais buscam a elaboração de teorias da personalidade e modelos terapêuticos, formas de mudanças na personalidade. A sua corrente ideológica ficou conhecida como humanista, visto que ele observa e delineia o homem de uma maneira otimista em suas qualidades pessoais e reis, ao ponto de propor que o homem é um ser mutável para melhor.

Ele acreditava que o homem, da mesma forma que outros sistemas complexos vivos apresentam tendências à adaptação, evolução e atualização em seus fundamentos fisiológicos e psicológicos. Em fim, com o transcorrer cronológico, os homens absorvem cada vez mais experiências, vivenciam novos fatos, aprendem novas coisas, ficam cada vez mais fortes e se adaptam melhor ao ambiente externo e interno, dessa forma adquire cada vez mais capacidade de possuir autoconfiança, liberdade, criatividade e responsabilidade em suas ações.

A experiência é a chave para haver o aprimoramento da consciência interior, no interior do campo da experiência está o self, o qual não se reduz a imutabilidade, estabilidade, porem se for analisado em um determinado instante irá refletir uma noção de estabilidade. Ele sofre modificação à medida, em que as situações se alteram, ele não é apenas uma reprodução instantânea de algo em si, mas um fator que sofre inúmeras modificações de acordo com a situação posta em evidencia. O self é simplesmente a visão que uma determinada pessoa tem de si mesma, de modo que julga e analisa a si, exemplificadamente através de experiências ocorridas no passado e/ou no presente, de modo que as façam buscar a interpretação de si mesmas.

O self ideal é o conjunto de características que o individuo aprecia em sua conjuntura psicossocial, de modo que não embasa a noção de igualdade com a pessoa media, ele simplesmente idealiza a si como algo maior e impenetrável de problemas, ou seja, seu self é seu deus pessoal. A auto-imagem ideal de um individuo o leva em muitos casos ao desenvolvimento de um narcisismo pessoal, ao ponto de fazer com que o individuo auto valorizas-se infinitamente.

“Isto é o que, em nossa opinião, constitui o estado de alienação de si. O individuo faltou com a sinceridade consigo mesmo, para com a significação “organismica” de sua experiência, a fim de conservar a consciência positiva do outro, falsificou certas experiências vividas e representou para si mesmo estas experiências com os mesmos índices de valor que tinham para o outro. Tudo isto se produziu involuntariamente, como um processo natural e trágico alimentado durante a infância” (Rogers,  1959,  p. 202 na ed. Brás.).

Como exemplificado anteriormente um individuo que imita e assimila experiências e valores criados e interiorizados por outro individuo, está realmente alienado, ele foge a sua realidade social buscando um self não existente e não desenvolvido em seu interior, ele apenas utiliza de sua capacidade imitativa para projetar tais realizações virtuais e as tornam reais em seu interior.

10. Frederik Perls.

10.1. Biografia.

Frederik Salomon Perls (1893 – 1970), era de origem judaica, estudou medicina em Berlim. Foi psicanalista, ele sofreu grande influencia de uma corrente de pensamento denominada gestaltista, daí posteriormente ele desenvolver uma terapia com base nos fundamentos de tal corrente ideológica, no entanto suas concepções não são valorizadas de imediato. Somente a partir da década de 60 é que seus trabalhos são aceitos, e assim influenciaram as terapias surgidas posteriormente nos EUA.

10.2. Teoria da personalidade – Gestalt-terapia.

Perls conceituou que ocorre um inatismo no que diz respeito ao desenvolvimento biológico e psicológico de um determinado individuo, melhor explicando, o individuo torna-se o que ele é de acordo com sua predisposição interior a ser o que ele é no momento. Fato semelhante ao determinismo pregado por Lombroso, o qual dizia que um criminoso já nasceu criminoso, e não se tornara um criminoso. Frederik Perls critica fortemente a teoria da psicanálise em relação a esta afirmar que a conjuntura ideológica da agressão e do sadismo está localizada na fase oral, pois ele acreditava que tal conjuntura estava localizada na fase anal do desenvolvimento infantil.

A gestalt-terapia foi descrita por Perls como uma terapia existencial, ou seja, uma simples proposta de caráter clinico baseada em uma filosofia velada em silogismos, a mesma era utilizada mediante a princípios existencialistas. Ele insistia que algum individuo, somente pode ser compreendido através da descrição realizada de maneira direta pela sua própria pessoa, ou seja, um homem só pode ser compreendido se for interpretado por si mesmo. Tal teoria ofereceu uma visão ampla a respeito de diversos campos sociais, de modo que busca uma compreensão cada vez mais adequada das inúmeras relações entre o homem, o planeta, os objetos e a natureza como se tudo fosse parte de um único jogo.

Os seres animados e os inanimados se encontram em relações de interdependências recíprocas, visto que dependem uns dos outros para existirem. Perls definiu a atividade psicológica humana simplesmente como uma determinada atividade realizada por uma pessoa completa, a qual é desenvolvida mediante um desgaste bem menos de energia do que a gasta no empenho da atividade física. Para o referido pensador, pensar é menos cansativo do que correr.

“O organismo age e reage a seu meio com maior ou menos intensidade; a medida que diminui a intensidade, o comportamento físico se transforma em comportamento mental. Quando a intensidade aumenta, o comportamento mental torna-se comportamento físico” (Perls,  1973,  p. 28 na Ed. Brás.).

Nota-se que Perls acreditava que não havia no homem uma separação nítida entre suas sensações, seus pensamentos e as suas ações, tudo era parte de um todo interdependente e integrado formando um único complexo de ações múltiplas. A personalidade é um puro reflexo de todo esse complexo de ações, ela é uma rede resultante da ligação de todas essas ações desempenhadas pelos complexos interligados.

Na gestalt o terapeuta é apenas um facilitador e não um condicionador do comportamento psicológico de seus clientes, assim como Sócrates por meio da dialética busca fazer com que o seu ouvinte conheça a si mesmo, assim é a gestalt. O terapeuta faz com que o seu paciente compreenda a si e se conscientize descobrindo assim seus pontos fortes e os seus pontos fracos, a partir daí o seu bem-estar podem ser garantidos, inclusive o seu crescimento espiritual e psicológico.

11. Conclusão

Portanto cada uma das teorias da personalidade apresentadas no decorrer do presente trabalho apresenta um valor de relevância especificadamente único, visto que cada uma delas buscou abordagens e definições teóricas na maioria das vezes distintas, conflitantes em algum ou vários pontos. Tais teorias são resultados de ramificações ideológicas surgidas no decurso da árvore dos estudos psicológicos e psicanalíticos, em tal ponto que fica evidente seus semelhantes pontos de origem entre duas ou mais teorias, mesmo sendo todas distintas e conflitantes. Entretanto tais conflitos são fundamentais para haver os desenvolvimentos de trabalhos cada vez melhores.

O estudo psicológico é em si fruto de analises, observações empíricas, entretanto em algumas teorias pode ocorrer o fato de tais procedimentos estarem baseados em dogmas dedutivos. O que se percebe é que o homem utiliza de seu altruísmo e de sua auto-valorização e acaba por questionar uma dada teoria, desse modo ele busca a criação de sua própria teoria, em muitas vezes consegue superar as suas expectativas e da comunidade em geral. A ciência possui como um de seus dogmas o fato de que nada que existe é insuperável, sempre irá existir algo que irá alcançar tal fato inicial. Por isso, nenhuma teoria cientifica possui sua duração infinita, o que ocorre é que ela tem de lutar para não ser superada a todo instante, devido a existirem ilimitadas idéias e mentes brilhantes em toda a comunidade cientifica.

O presente trabalho buscou contribuir com o crescimento e com a divulgação da psicologia forense, visto que ela é raramente explorada no âmbito jurídico, devido a estar colocada em uma posição secundaria na lista das ciências do direito, sabe-se que a mesma é a chave para a compreensão humana. O individuo que consegue compreender a psicologia humana acaba por dominar as ações humanas e os frutos provenientes delas, os quais remetem a pratica no mundo juridco.

 

Referências bibliográficas:
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DARWIN, Charles. A origem do homem e a seleção natural.  trad. Attílio Cancian e Eduardo Nunes Fonseca. São Paulo, Hemus- Livraria Editora, 1974.
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Notas:
¹ Clóvis Beviláqua, Código Civil dos Estados Unidos do Brasil comentado,  v. 1, obs. 1 ao art. 2° do CC/1916
² celebre frase do filosofo Sócrates.
 

Informações Sobre o Autor

Max Elias da Silva Araújo

Acadêmico de Direito

 
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Informações Bibliográficas

 

ARAúJO, Max Elias da Silva. As teorias da personalidade - uma abordagem ampla e ontológica. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XIII, n. 78, jul 2010. Disponível em: <http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=8046>. Acesso em jul 2014.

 

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ARAúJO, Max Elias da Silva. As teorias da personalidade - uma abordagem ampla e ontológica. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XIII, n. 78, jul 2010. Disponível em: <http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=8046>. Acesso em jul 2014.