FI-LO PORQUE QUI-LO, ENTRE...E, O ELEVADO, À BAILA

 

--- Como usar: entre 12 e 15 ou 12 a 15? Adroaldo, São José/SC

A correlação certa é entre...e ou de...a. Portanto: entre 12 e 15 ou de 12 a 15. Exemplos:

O evento acontecerá de 10 a 20 de maio próximo.
Ele nos disse que passaria por Veneza entre os dias 21 e 30 do corrente mês.

--- A minha pergunta pode de início parecer absurda ou mesmo tola mas me foi feita em sala de aula e não soube respondê-la. Todos os símbolos gráficos têm um nome, * (asterisco), ~ (til), etc.  Como são denominados os seguintes - º  e  ª  -  usados em abreviaturas? Paulo Alexandre da Frota

Não existe um nome específico para o º e ª usados não só em abreviaturas mas em algarismos. O Manual da Presidência da República (Regulamentação, p. 25) chama de "símbolo de número ordinal" ao tratar do primeiro dia do mês [1º]. No entanto, genericamente falando (pois não se trata apenas de números) temos aí a letra a reduzida ou o reduzido, observe: primeiro = 1º; primeira = 1ª; professora = profª = profa.; amigo = amº. Também se pode dizer a ou o elevado ou em tipo alto.

--- Qual o significado da expressão "à baila"? S.C.L.U.C., Brasília/DF

A palavra baila é antiga: queria dizer o espaço cercado onde se realizavam torneios de cavalaria. Já a expressão à baila é empregada quase que somente em locuções, como:
- Chamar (trazer) à baila: fazer que se manifeste; provocar um assunto.
- Vir à baila: vir a propósito; fazer-se lembrado oportunamente.
- Andar (estar) na baila: ser chamado ou citado frequentemente; estar em evidência.

***

Faz um tempo recebi a seguinte pergunta: “Gostaria de saber por qual motivo alguns professores dizem essa frase: ‘filo porque quilo’, e se a mesma tem sentido correto.”

Devo esclarecer que a grafia é com hífen: Fi-lo porque qui-lo, que de outra forma fica: (eu) o fiz porque o quis. O sentido está correto, mas a estrutura não, pois a conjunção porque atrai o pronome: “fi-lo porque o quis” (ou seja, fiz isso porque quis assim). Só que desta maneira ela perde a graça, daí a inversão do pronome, para soar como quilo/kg. A frase foi atribuída a Jânio Quadros, por brincadeira – ele nunca a admitiu como sua, até mesmo porque, como professor de português, não iria errar na colocação pronominal.

Aproveito para transcrever um trecho da crônica DITO&FEITO de Fernando Sabino publicada em 2 de outubro de 1988 no Jornal do Brasil:

E por falar em pronome oblíquo, restaure-se a verdade histórica: Jânio Quadros jamais teria falado “fi-lo porque qui-lo”, como hoje é voz corrente na boca do povo.
Se há uma virtude que ninguém lhe nega é a de saber colocar os pronomes com muito mais precisão que as ideias, e seria imperdoável que não lhe ocorresse, como ordenam os puristas, que a conjunção atrai o pronome.
O que ele realmente disse, ainda nos primórdios de seu requinte vocabular, foi bem mais simples, e a propósito de uma entrevista concedida, quando governador de São Paulo, ao jornalista mineiro Marcelo Tavares.
Atendendo exigência sua, Marcelo levou-lhe as perguntas por escrito. Depois de lê-las atentamente, Jânio voltou-se para ele:
– Boas perguntas. Fê-las o senhor mesmo? 
– Fi-las – Marcelo respondeu, sem piscar.
Janio o olhou com surpresa:
– Amas também a forma oblíqua?


Maria Tereza de Queiroz Piacentini - Diretora do Instituto Euclides da Cunha e autora dos livros "Só Vírgula", "Só Palavras Compostas" e "Língua Brasil - Crase, pronomes & curiosidades" - www.linguabrasil.com.br

 
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