PAISINHO, RESPONDER, CAUÇÃO E XEQUE

 

Paisinho e paizinho
Veja a diferença que uma letra pode fazer! O primeiro termo é o diminutivo de país; o segundo, de pai. Mesmo a pronúncia é distinta. Situações de uso:

O personagem interpretado por Robert Redford no filme Entre Dois Amores pergunta à figura central da história, a escritora dinamarquesa Isak Dinesen: “Ah, você vem da Dinamarca? Aquele paisinho que fica perto da Alemanha?”
Disse o menino: Alô, paizinho, estou esperando por você!

Responder
Quando se comunica alguma coisa (falando ou escrevendo) em resposta, o verbo responder pode ser transitivo direto ou indireto; no último caso significa que se usa a preposição “a”. A regência tradicional é, por exemplo, “responder a uma carta”, e não “responder uma carta”, considerando-se que alguém responde algo [diz alguma coisa] de uma pergunta, em uma carta etc. No português brasileiro, todavia, essa preposição é muitas vezes omitida, motivo pelo qual no dicionário Houaiss se vê: “1 dizer ou escrever em resposta  Exs.: respondemos que todos somos iguais / responder (a) uma carta / r. às perguntas”.

De qualquer forma, gostaria de recomendar o emprego da preposição, que é clássico e mais elegante:

Favor responder às questões.
O rapaz está respondendo a [um] processo.
Já respondi ao questionário enviado pela internet.
Ela não soube responder à pergunta formulada pelo juiz.
A essa pergunta ninguém respondeu.
Deus respondeu às nossas súplicas.

Cabe observar, também, que o verbo responder pode ser usado como transitivo direto e indireto ao mesmo tempo; a pessoa é sempre objeto indireto:

O candidato respondeu “sim” à maioria das questões.
Respondeu ao auxiliar de escritório que o receberia.
Não sei o que ele respondeu aos colegas.
Eles devem ter respondido que aceitariam o desafio.
Vamos responder-lhe imediatamente.

Cheque de caução em xeque
Erros de grafia são comuns neste Brasil. Pela internet circulam fotos de placas e cartazes muito curiosos! Mas um dos erros mais interessantes que vi foi este: “O cliente precisa deixar um cheque em calção”. Como era de uma loja de roupas, quem sabe...

Enfim, a grafia correta nesse caso é caução, que significa um valor depositado em garantia para assegurar um negócio, uma “precaução” (cautela).

A propósito, vale lembrar outro par de palavras que pode criar confusão para os desavisados: cheque e xeque. Com CH todos sabem do que se trata: um documento bancário. Também poderia ser a terceira pessoa do imperativo do verbo checar (Cheque isso imediatamente!). Com X temos a grafia aportuguesada de “sheik”, chefe muçulmano, e também o movimento do jogo de xadrez em que o rei fica a perigo (o xeque ou xeque-mate). Desta última acepção vem a expressão colocar em xeque, com a qual se diz que alguma coisa foi posta em dúvida, questionada. Exemplos:

No filme, colocou-se a autoridade do xerife em xeque várias vezes.
A morte de um clandestino preso no trem de pouso de um Boing 747 põe em xeque a segurança dos aeroportos.
A ampliação da competência e a demora estão colocando em xeque a eficiência de uma das mais exitosas invenções da justiça brasileira nos últimos tempos: os Juizados Especiais Cíveis.

Maria Tereza de Queiroz Piacentini - Diretora do Instituto Euclides da Cunha e autora dos livros "Só Vírgula", "Só Palavras Compostas" e "Língua Brasil - Crase, pronomes & curiosidades" - www.linguabrasil.com.br

 
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